Libertadores à Bolognesi

Por Eduardo Vieira da Costa, Editor de Esporte da Folha de São Paulo

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Se você não torce por São Paulo, Santos, Flamengo, Fluminense ou Cruzeiro e ainda assim quer um clube para apoiar na Taça Libertadores de 2008, uma saída pode ser adotar o Coronel Bolognesi. Um amigo meu corintiano já confessou que o fará.

É claro que, na situação em que se encontra o Corinthians, não resta muito a fazer para a torcida. Libertadores, na melhor das hipóteses, só em 2009. Isso contando com um título na Copa do Brasil-2008.

Voltando ao Coronel Bolognesi –ou Bolo, como o time é chamado pela torcida–, a presença da equipe peruana na Libertadores provavelmente assustou muita gente. Inclusive eu.

Apesar de não chegar a ser um time de massa (perdão pelo trocadilho, não deu para resistir), o Bolognesi é o atual campeão do Torneio Clausura, o segundo turno do Campeonato Peruano. Só não ficou com o título Nacional porque conseguiu ser o último colocado no Torneio Apertura. Uma coisa meio ao estilo Botafogo.

O nome Coronel Bolognesi, que causa estranhamento –mais estranho é que o Vasco da Gama não desperta mais este tipo de coisa, apesar de também ser um nome de pessoa–, vem do patrono do exército peruano, Francisco Bolognesi Cervantes, que morreu na Batalha de Arica, em 1880, defendendo seu país dos chilenos na Guerra do Pacífico.

O time nasceu em 1929 como Club Deportivo Coronel Bolognesi, mas foi refundado em 1998 como Deportivo Bolito. A nova equipe conseguiu vários acessos seguidos e, já de volta à primeira divisão, foi rebatizada como Coronel Bolognesi Fútbol Club, voltando à tradição.

Além do Clausura-2007, o clube conta com outros dois títulos, as Copas do Peru de 1976 e de 2001. Joga na cidade de Tacna, no extremo sul do Peru, no meio do deserto.

Logo na estréia na Libertadores, o time pega o Flamengo, no acanhado estádio Jorge Basadre, com capacidade para 25 mil pessoas. E depois vai ter que encarar 80 mil torcedores ou mais no Maracanã.

Os outros dois times da chave são Nacional, do Uruguai, e o vencedor do duelo entre pequeno Montevideo Wanderers, também uruguaio, e o velho conhecido Cienciano, do Peru.

Quem sabe não passam Flamengo e Bolognesi? Não é impossível. O Nacional há muito tempo não é mais grandes coisas.

De qualquer forma, se for de seu agrado adotar o time mais fraco (ou, por que não dizer, o bizarro), já pode ir treinando o canto da torcida local:

“Vamos Bolo! Arriba Tacna!”

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